O Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, falou esta quinta-feira aos jornalistas, à saída do Conselho de Ministros realizado no Palácio do Governo, em Bissau. Numa declaração marcada pela prudência e firmeza, o Chefe de Estado abordou vários temas da actualidade política e judicial, incluindo o caso do desaparecimento do seu segurança, Tano Barri, a exoneração do Procurador-Geral da República, e o recente acórdão do Tribunal da Relação relativo ao MADEM-G15.
Caso Tano Barri: “Enquanto não houver dados concretos, falamos de desaparecimento”
Questionado sobre o caso Tano Barri, o Presidente recusou-se a tecer comentários precipitados. “Não quero falar sobre isso ainda porque está nas mãos da Justiça. O corpo encontrado estava num estado de degradação tal que não se consegue determinar se é de homem ou mulher. Está embrulhado. Quero ser prudente. Falo de desaparecimento, não de morte, até termos os dados das inteligências judiciária e militar”, afirmou.
Sissoco Embaló criticou o ambiente de boatos que domina o espaço público: “Na Guiné-Bissau tudo é politizado, tudo se transforma em rumores. Uns dizem que o corpo é de uma mulher, um espanhol…, outros dizem que é Tano. Eu, como Presidente, não me guio por boatos, mas por factos.”
Sobre o áudio recentemente divulgado, onde se ouve o Chefe de Estado a falar com Tano Barri, Embaló esclareceu: “Tenho estima por ele, como tenho por Tchernino ou outros. Tano é como um filho para mim. Não o vejo como segurança, mas como alguém por quem tenho afecto. Eu sabia que estava a ser gravado, por isso disse o que podia dizer publicamente.”
Justiça e reconciliação no MADEM-G15
Confrontado com o acórdão do Tribunal da Relação que deu razão a Adja Satu Camará, Embaló assegurou que a decisão judicial não irá comprometer a reconciliação interna do partido: “Não tem nada a ver. Sou responsável e vou reconciliar a família MADEM-G15. A justiça segue o seu curso. A unidade do MADEM é parte da minha história.”
Sobre a exoneração do Procurador-Geral da República, o Presidente desvalorizou o acontecimento: “É normal. Pode ter sido chamado para outra função. Bacari já foi nomeado duas vezes, até por Jomav. Não devemos ver exonerações como dramas.”
Golpe de Estado de 1 de Fevereiro: “Nunca mais se repetirá”
Abordando a libertação do tenente-coronel Júlio Mambali, Embaló garantiu que não há motivo de alarme: “Ele não foi o primeiro a ser solto. Muitos já foram libertados no âmbito do caso 1 de Fevereiro. Mas asseguro: esse episódio nunca mais se repetirá na Guiné-Bissau enquanto eu for Presidente. Podem tentar ensaios, mas não terão sucesso. Vim das urnas e só as eleições me poderão retirar do cargo. Se cumprir dois mandatos, termino e vem outro.”
O Presidente reforçou que o país está seguro: “Tomei medidas para garantir estabilidade. Não vamos permitir que se fale constantemente de golpes de Estado. Há políticos que manipulam a população com objectivos obscuros. Chamam-se marginais. Um político tem de ter projecto para construir o país, não para o destruir.”
Maturidade política e papel internacional da Guiné-Bissau
O Chefe de Estado apelou à responsabilidade da classe política: “Precisamos de uma classe política madura. Quem não estiver satisfeito, que vá à justiça, não à violência. Estamos a trabalhar para a paz no mundo. Ofereci-me para mediar a tensão entre os EUA e o Brasil. Fazemos parte da CPLP e podemos contribuir para a resolução de conflitos.”
Criticou ainda quem tenta sabotar iniciativas internacionais: “Houve quem tentou minar as cimeiras da CEDEAO e da CPLP. Não conseguiram. E um dia poderemos organizar uma cimeira da União Africana. É possível connosco.”
Tano Barri: “Vou acompanhar o caso com atenção”
Voltando ao caso de Tano Barri, Embaló garantiu seguir o processo de perto: “É um jovem que considero como filho. No áudio chamei-lhe filho, porque é assim que o vejo. Mesmo sabendo que estava a ser gravado, disse o que qualquer chefe de Estado poderia dizer publicamente. Agora, sendo ele militar, deve distanciar-se dos civis.”
Mensagem final
O Presidente concluiu com uma mensagem aos jornalistas: “Desejo a todos boas férias. Encontrar-nos-emos na tomada de posse do novo Procurador-Geral da República.”
Reportagem de Quecuta Tuncará, para a RTB.
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