Fósseis humanos descobertos em Casablanca esclarecem um período-chave da evolução humana (fotos exclusivas)
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Por: Redação

January 8, 2026

January 8, 2026

Uma descoberta de grande relevância vem enriquecer a nossa compreensão da evolução humana. Fósseis de hominíneos exumados na pedreira Thomas I, em Casablanca, lançam uma nova luz sobre um período charneira da história da humanidade, há cerca de 773 mil anos. Os resultados desta investigação internacional foram publicados a 7 de Janeiro de 2026 na prestigiada revista Nature.

Este avanço científico insere-se no âmbito do programa marroquino-francês «Pré-história de Casablanca», fruto de uma colaboração institucional entre o Instituto Nacional das Ciências da Arqueologia e do Património (INSAP), tutelado pelo Ministério da Juventude, da Cultura e da Comunicação do Reino de Marrocos, e o Ministério da Europa e dos Negócios Estrangeiros de França. Os trabalhos são co-dirigidos por Abderrahim Mohib (INSAP), Rosalia Gallotti (Universidade de Montpellier Paul-Valéry) e Camille Daujeard (Museu Nacional de História Natural / CNRS).

Os fósseis analisados provêm de uma cavidade conhecida como Gruta dos Hominídeos, situada na pedreira Thomas I. Incluem várias mandíbulas humanas, pertencentes a dois adultos e a uma criança, bem como restos dentários e pós-cranianos. O conjunto apresenta uma combinação notável de características arcaicas, próximas das de Homo erectus, e de traços mais derivados que anunciam formas humanas mais modernas.

Um dos principais contributos do estudo reside na datação excecional dos fósseis. Graças a uma análise magnetoestratigráfica com uma resolução sem precedentes para um sítio contendo restos humanos, os investigadores identificaram nos sedimentos o registo preciso da inversão do campo magnético terrestre Matuyama–Brunhes, datada de há 773 mil anos. Este método confere ao sítio uma das idades mais fiáveis alguma vez obtidas para fósseis de hominíneos.

Estas descobertas documentam populações humanas ainda pouco conhecidas, situadas num momento crucial da evolução, entre as formas antigas do género Homo e as linhagens mais recentes. Preenchem uma lacuna importante do registo fóssil africano, numa época em que os dados paleogenéticos situam a divergência entre a linhagem africana que conduziu ao Homo sapiens e as linhagens euro-asiáticas na origem dos Neandertais e dos Denisovanos.

Ao revelarem uma combinação original de características primitivas e evoluídas, os fósseis de Casablanca testemunham populações humanas próximas dessa fase de divergência. Confirmam a antiguidade e a profundidade das raízes africanas da nossa espécie, sublinhando simultaneamente o papel central do Norte de África nas grandes etapas da evolução humana.

O estudo contou com a contribuição de investigadores de numerosas instituições marroquinas e internacionais, nomeadamente o INSAP e a Direção do Património Cultural (Marrocos), o Collège de France, o Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology (Alemanha), a Universidade de Montpellier Paul-Valéry, a Università degli Studi di Milano (Itália), a Universidade de Bordéus e o Museu Nacional de História Natural (França).

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