Aljazeera
O presidente da Assembleia Nacional do Senegal, El Malick Ndiaye, anunciou a sua demissão, dois dias depois de o primeiro-ministro Ousmane Sonko, seu aliado próximo, ter sido afastado do cargo pelo Presidente Bassirou Diomaye Faye. A decisão agrava a crise política no país e abre caminho para que Sonko possa disputar a liderança do Parlamento, onde o partido Pastef mantém uma maioria forte.
Ndiaye afirmou, numa publicação no Facebook, que a sua saída foi uma escolha pessoal, guiada pelo seu entendimento sobre as instituições, a responsabilidade pública e o interesse nacional.
A demissão surge num momento de crescente tensão entre Faye e Sonko. Os dois foram aliados políticos importantes e chegaram ao poder com a promessa de uma profunda mudança política, incluindo o combate à corrupção. No entanto, a relação entre o Presidente e o antigo primeiro-ministro deteriorou-se nos últimos meses.
A crise política pode dificultar ainda mais os esforços de reforma do Governo senegalês, sobretudo numa altura em que o país enfrenta uma grave crise da dívida e negociações sensíveis com o Fundo Monetário Internacional. O FMI congelou um programa de financiamento de 1,8 mil milhões de dólares depois de ter sido descoberta dívida mal declarada pelo Governo anterior. Segundo a notícia, a dívida do Senegal atingiu cerca de 132% do PIB no final de 2024.
Sonko continua a ser uma figura política muito popular. Nas eleições presidenciais de 2024, não pôde candidatar-se devido a uma condenação por difamação. Faye, que contou com o seu apoio, venceu a eleição com 54% dos votos, depois de ambos terem sido libertados da prisão poucos dias antes da votação.
Com o Pastef a dominar a Assembleia Nacional, a eventual chegada de Sonko à presidência do Parlamento poderá tornar a governação de Faye mais difícil e complicar a aprovação de reformas necessárias para garantir apoio financeiro internacional.



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