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Rússia confirma morte de 16 camaroneses na guerra na Ucrânia

Aljazeera

A Rússia confirmou a morte de 16 cidadãos camaroneses que combatiam ao lado das suas forças no conflito na Ucrânia, segundo informações divulgadas pelas autoridades dos Camarões. No entanto, continuam por esclarecer as circunstâncias em que estes homens foram recrutados e as condições em que perderam a vida.

Num comunicado transmitido na segunda-feira pelos meios de comunicação estatais, o Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Camarões apelou às famílias das vítimas para que entrem em contacto com as autoridades na capital, Yaoundé.

Esta é a primeira vez que o governo camaronês aborda publicamente a participação de cidadãos seus na guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Ao longo do conflito, Moscovo tem recorrido a combatentes estrangeiros provenientes de vários países para reforçar as suas forças.

Uma nota diplomática camaronesa, datada de segunda-feira e citada pela agência Reuters, descreve os falecidos como “contratados militares de nacionalidade camaronesa” que operavam numa zona de “operação militar especial” — expressão utilizada pela Rússia para designar a guerra na Ucrânia desde a invasão em larga escala iniciada em fevereiro de 2022.

Nem o comunicado oficial nem o documento diplomático esclarecem como estes 16 homens chegaram a integrar as fileiras russas, nem indicam o local, a data ou as circunstâncias exatas das suas mortes.

Num memorando interno emitido em março de 2025, também citado pela Reuters, o ministro da Defesa dos Camarões manifestou preocupação com a saída de militares do país para se juntarem ao conflito, tendo ordenado uma vigilância mais apertada por parte dos oficiais responsáveis.

As autoridades camaronesas reiteraram que o país não envia tropas para o estrangeiro fora de missões internacionais ou regionais autorizadas, alertando ainda os cidadãos para os riscos de participação em guerras externas.

A Ucrânia afirmou, em fevereiro, que mais de 1.700 africanos estariam a combater ao lado da Rússia, embora especialistas considerem que o número real poderá ser superior.

Vários países africanos têm denunciado que alguns dos seus cidadãos foram atraídos para o conflito com promessas enganosas de emprego bem remunerado ou formação profissional.

Um relatório dos serviços de informação apresentado ao parlamento do Quénia revelou que cerca de mil quenianos foram recrutados após serem iludidos com falsas ofertas de trabalho, acabando enviados para a linha da frente.

Também dois nigerianos terão morrido no final do ano passado enquanto combatiam pela Rússia, segundo informações divulgadas recentemente pelos serviços secretos ucranianos.

As autoridades russas negam qualquer prática ilegal de recrutamento de cidadãos africanos.

Além de africanos, jovens do sul da Ásia também têm sido integrados no exército russo, muitas vezes motivados por promessas de salários elevados e benefícios.

De acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Índia, pelo menos 202 cidadãos indianos foram recrutados, tendo sido registadas pelo menos 26 mortes.

Em agosto de 2024, a Rússia comprometeu-se a libertar todos os cidadãos indianos integrados nas suas forças armadas e anunciou o fim do seu recrutamento, após pressão do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

Por outro lado, a agência de inteligência da Coreia do Sul indicou que entre 11.000 e 15.000 militares norte-coreanos foram enviados para apoiar a Rússia, dos quais cerca de 6.000 terão sido mortos ou feridos nas fases iniciais do conflito.

Redação

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