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O antigo primeiro-ministro do Senegal, Ousmane Sonko, foi eleito presidente da Assembleia Nacional, poucos dias depois de ter sido afastado do cargo pelo Presidente Bassirou Diomaye Faye. A escolha de Sonko para liderar o Parlamento representa um novo capítulo na crise política que divide os dois antigos aliados.
A eleição de Sonko para a presidência da Assembleia reforça a sua influência política, apesar da sua saída do governo. O partido PASTEF, que domina o Parlamento, continua a ser a principal força política do país, o que dá a Sonko uma posição estratégica para condicionar a agenda do novo executivo.
A tensão entre Sonko e Faye agravou-se nos últimos meses, sobretudo devido a divergências sobre a condução económica do país e as negociações com o Fundo Monetário Internacional. Após demitir Sonko, Faye nomeou o economista Ahmadou Al Aminou Lo como novo primeiro-ministro, numa tentativa de restaurar a confiança dos investidores e relançar as conversações com o FMI.
A situação financeira do Senegal é particularmente delicada. A dívida pública terá atingido cerca de 132% do PIB, depois da descoberta de passivos anteriormente não declarados. O FMI congelou um programa de apoio de 1,8 mil milhões de dólares, enquanto o novo governo tenta encontrar uma saída para a crise.
Com Sonko agora à frente do Parlamento, o Presidente Faye poderá enfrentar maior resistência institucional, sobretudo se o governo avançar com reformas económicas impopulares, como reestruturação da dívida ou alterações nos subsídios aos combustíveis. A crise abre a possibilidade de uma disputa prolongada entre a Presidência e a Assembleia Nacional.
Em resumo, Sonko perdeu o cargo de primeiro-ministro, mas regressa ao centro do poder político senegalês através do Parlamento. A sua eleição como presidente da Assembleia transforma-o num contrapeso directo ao Presidente Faye e poderá marcar uma nova fase de instabilidade no Senegal.



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