CEDEAO, ameaça aplicar “sanções direcionadas” a quem obstruir o retorno da Guiné-Bissau ao governo civil

AFP/YAHOONews

O bloco regional da África Ocidental, CEDEAO, ameaçou este domingo aplicar “sanções direcionadas” a quem obstruir o retorno da Guiné-Bissau ao governo civil, na sequência do golpe do mês passado.

O anúncio foi feito no mesmo dia em que presidentes da região se reuniram na Nigéria para uma reunião bienal, cujo programa foi dominado por duas recentes tentativas de golpe: a tomada de poder militar bem-sucedida na Guiné-Bissau e uma tentativa falhada no Benim.

“As autoridades imporão sanções direcionadas a indivíduos ou grupos que obstruam o processo de transição”, declarou o presidente da Comissão da CEDEAO, Omar Alieu Touray, aos jornalistas no final da cimeira, realizada na capital nigeriana, Abuja.

As duas interrupções do governo civil — na Guiné-Bissau no mês passado e no Benim há uma semana — abalaram a CEDEAO.

O bloco já tinha sido afetado por uma série de golpes entre 2020 e 2023 em Burquina Faso, Guiné, Mali e Níger, todos ainda sob controlo militar.

“Os eventos das últimas semanas mostraram concretamente o que significa solidariedade regional”, afirmou Touray mais cedo, na cerimónia de abertura da cimeira de chefes de Estado.

A cimeira, realizada num salão de conferências no campus seguro e bucólico em torno da residência presidencial em Aso Rock, foi organizada antes das duas recentes tentativas de golpe, mas estas passaram a ser prioridade na agenda.

Segurança no Sahel em destaque

Os presidentes reunidos deviam discutir uma recente missão da CEDEAO à Guiné-Bissau e “a situação na República do Benim”, segundo o programa.

Medidas de liberalização comercial e “atualização do processo de transição” na Guiné também constavam da agenda.

A segurança na região do Sahel, onde grupos jihadistas realizam insurgências em Burquina Faso, Mali e Níger, esteve igualmente na lista de prioridades.

Sob governo militar, os três países deixaram a CEDEAO e formaram o seu próprio grupo, a Aliança dos Estados do Sahel (AES).

Na semana passada, Touray apelou a negociações com a AES sobre questões de segurança partilhadas, à medida que o conflito continua a expandir-se para o sul.

“Nenhuma fronteira nos pode proteger da violência”, afirmou o Presidente da Serra Leoa, Julius Bio, que atualmente preside a CEDEAO por rotação.

Os chefes de Estado da Guiné e da Guiné-Bissau, suspensos após os golpes militares, não estiveram presentes na cimeira.

O Presidente da Nigéria, Bola Tinubu, também não compareceu, sendo representado pelo Vice-Presidente Kashim Shettima.

Para além das tomadas de poder militares, o retrocesso democrático também tem afetado os governos civis na África Ocidental.

Em outubro, a Costa do Marfim elegeu o Presidente Alassane Ouattara para um quarto mandato, numa eleição em que os seus rivais foram impedidos de concorrer.

As eleições de 2023 de Bio e Tinubu geraram igualmente queixas de irregularidades.

Redação

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