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“Esqueçam a democracia”, afirma líder militar do Burkina Faso, Traoré

Reuters

O líder militar do Burkina Faso, Ibrahim Traoré, afirmou recentemente que a população deve “esquecer a democracia”, defendendo que este modelo político não se adequa à realidade do país e chegando mesmo a dizer que “a democracia mata”. As declarações foram feitas durante uma conversa com jornalistas, transmitida na televisão estatal.

Traoré, que chegou ao poder através de um golpe de Estado em setembro de 2022, tinha inicialmente prometido a realização de eleições em 2024. No entanto, mais tarde recuou, argumentando que o país ainda não reúne condições de segurança para um processo eleitoral inclusivo. Burkina Faso enfrenta, há mais de uma década, uma grave crise de segurança provocada por grupos armados ligados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico.

Durante a mesma intervenção, o dirigente destacou que o governo está concentrado em desafios considerados mais urgentes do que a transição democrática. Ao referir-se ao caso da Líbia, afirmou que tentativas externas de impor a democracia podem ter consequências negativas, reforçando a sua posição crítica em relação a esse sistema.

Em janeiro deste ano, o governo militar decidiu dissolver todos os partidos políticos, após já ter suspendido anteriormente as suas atividades. Antes do golpe, existiam mais de uma centena de partidos registados no país, dos quais cerca de 15 tinham representação parlamentar na sequência das eleições gerais de 2020.

Situação semelhante verifica-se em países vizinhos como Mali e Níger, também governados por juntas militares que chegaram ao poder através de golpes de Estado e que tomaram medidas idênticas contra os partidos políticos. Nestes três países, a violência ligada a grupos islamistas já provocou milhares de mortos e milhões de deslocados ao longo da última década.

Entretanto, um relatório divulgado pela Human Rights Watch aponta que, desde 2023, as forças armadas do Burkina Faso e grupos aliados terão sido responsáveis por um número de mortes de civis mais do que o dobro das atribuídas a combatentes islamistas. Até ao momento, o governo não comentou oficialmente estas acusações.

Redação

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