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Fernando Dias acusa comando militar de responsabilidade na morte de ativista

Em pronunciamento realizado esta tarde, Fernando Dias, candidato à Presidência da República da Guiné-Bissau nas eleições marcadas para novembro de 2025, dirigiu-se ao país para expressar condolências pela morte do ativista Vigário Luís Balanta, de 33 anos, vítima do que classificou como um “ato bárbaro” ocorrido na noite de ontem.

Durante a declaração, Dias dirigiu-se diretamente ao Comando Militar, na pessoa do seu presidente, Horta N’Ta-A, exigindo responsabilidades e uma investigação célere ao homicídio. O candidato questionou a alegada inação das autoridades militares, sublinhando que, após o sucedido, não teria havido qualquer comunicação ou movimento por parte da instituição no sentido de identificar os autores do crime.

“Comando Militar, neste momento em que estamos, quando este menino foi morto, vocês deviam reunir-se de emergência para criar uma comissão para investigar e saber quem cometeu este ato bárbaro. Mas até agora esperámos por vós e não ouvimos nada do vosso lado; há um silêncio total da vossa parte”, afirmou.

O candidato associou a morte do ativista à atual situação política no país, referindo-se à interrupção da leitura de resultados eleitorais e à tensão institucional. Segundo Fernando Dias, a divulgação atempada dos resultados evitaria a escalada de violência e a divisão entre os guineenses.

No seu discurso, Dias acusou diretamente o Comando Militar e o Governo de serem “responsáveis pela morte deste menino, até prova em contrário”, exigindo que os autores sejam apresentados a julgamento. Estabeleceu ainda um paralelismo com outros homicídios na história recente do país, nomeadamente o caso de Tano Bari.

O candidato, que reivindica ter sido eleito pela maioria e alega ter sido alvo de sequestro por parte das forças armadas, advertiu que o caso do ativista “vai custar caro” às autoridades e deixou um aviso para o futuro: “Hoje tendes a força, mas daqui a 20 anos não tereis a força. As pessoas virão pedir-vos contas sobre como é que as pessoas eram mortas.”

Até ao momento, não foi divulgada qualquer reação oficial por parte do Comando Militar ou do Governo da Guiné-Bissau.

Redação

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