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Fernando Vaz dispara contra Xanana Gusmão e acusa CPLP de duplo critério

CNT repudia declarações de Xanana Gusmão e acusa CPLP de ingerência nos assuntos da Guiné-Bissau

Bissau, 24 de junho de 2026 — O Conselho Nacional de Transição, CNT, da República da Guiné-Bissau, reagiu com forte indignação às declarações atribuídas a Xanana Gusmão, feitas à margem da conferência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP.

Num comunicado assinado pelo Gabinete do Porta-Voz, Fernando Vaz, o CNT classificou as declarações do líder timorense como “insultuosas, paternalistas” e como uma afronta à dignidade do povo guineense.

Segundo o CNT, as palavras de Xanana Gusmão representam uma “ingerência grosseira” nos assuntos internos de um Estado soberano. A organização sublinha que a Guiné-Bissau é membro fundador da CPLP e rejeita qualquer tentativa de tutela política ou institucional sobre o país.

“O povo guineense não aceita ser tratado como menor nem receber lições de soberania de quem quer que seja”, refere o comunicado, que acusa ainda a CPLP de adoptar critérios políticos selectivos em relação aos seus Estados-membros.

O CNT questiona, em particular, o que considera ser um “duplo critério” no funcionamento da organização lusófona, referindo-se à decisão de atribuir a presidência da CPLP a Timor-Leste em detrimento da Guiné Equatorial. Para Fernando Vaz, essa escolha reflecte “jogos de bastidores” e uma orientação que, segundo afirma, não serve os interesses dos países africanos.

O comunicado critica também a suspensão da Guiné-Bissau da CPLP, considerando a medida “abusiva” e “antiestatutária”. O CNT compara a actuação da CPLP com a da Organização Internacional da Francofonia, da qual a Guiné-Bissau também faz parte, afirmando que esta última tem demonstrado maior respeito pela soberania dos seus membros.

Sobre o processo político interno, o Conselho Nacional de Transição garante que a Guiné-Bissau irá realizar eleições soberanas, financiadas com recursos próprios do Estado. O organismo frisa que a CPLP não tem autoridade para impor calendários eleitorais ao país.

“A CPLP não manda no calendário da Guiné-Bissau. As eleições serão realizadas de acordo com a Constituição e com a vontade soberana do povo guineense”, sustenta o comunicado.

O CNT acrescenta que caberá ao vencedor das próximas eleições decidir, em nome do povo, sobre a continuidade ou não da Guiné-Bissau na CPLP.

Na mesma nota, Fernando Vaz defende que a Guiné-Bissau possui importantes recursos naturais, como petróleo, bauxite e fosfato, cujo aproveitamento poderá reforçar a posição económica e diplomática do país no plano internacional.

O comunicado termina reafirmando que a Guiné-Bissau se rege pela sua Constituição, pela sua independência e pela defesa da sua soberania nacional.

Fonte: Gabinete do Porta-Voz do Conselho Nacional de Transição, CNT.

Redação

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