O músico guineense Ivaristo, mais conhecido por Iva, membro da histórica dupla Iva & Ichi, fundadores do grupo musical Netus di N’Gumbe, fez duras críticas ao também músico Patchi di Rima, acusando-o de reproduzir músicas da dupla sem a devida autorização.
As declarações foram feitas durante uma entrevista ao blogger Doka, onde Iva falou sem rodeios sobre a utilização das obras de Iva & Ichi por Patchi di Rima. A dupla é considerada uma das referências na modernização do Ngumbé, estilo musical tradicional da Guiné-Bissau.
Segundo Iva, Patchi terá aparecido um dia na residência da dupla, em Quelele, alegando que pretendia homenageá-los através da reprodução das suas músicas. No entanto, o músico afirma que essa iniciativa foi feita sem consulta nem autorização.
“Patchi apareceu um dia na nossa residência em Quelele, dizendo que queria homenagear-nos com as nossas músicas reproduzidas por ele. Mas gravou as nossas músicas sem nos consultar. Não sei que tipo de pessoa é Patchi”, afirmou Iva.
O artista deixou claro que não pretende entrar em conflitos, mas exige respeito pela obra da dupla.
“O que queremos pedir ao Patchi é que nos deixe em paz e que deixe a nossa música em paz. Patchi não pode reproduzir as nossas músicas sem permissão”, declarou.
Iva acusou ainda Patchi di Rima de estar a beneficiar financeiramente das músicas da dupla, referindo uma actuação em Macau.
“Patchi está a ganhar dinheiro com a nossa obra. Ele foi a Macau e fez dinheiro, mas disse-nos que não ganha nada com as nossas músicas. Nós não queremos problemas, só queremos que ele deixe a nossa obra”, acrescentou.
Durante a entrevista, Iva contou também que Ichi o informou de que Patchi teria dito que era seu sobrinho e que teria recebido autorização para reproduzir as músicas. Iva negou essa versão, apesar de confirmar o laço familiar.
“Sou tio de Patchi, mas isso não lhe dá o direito de usar a nossa obra. Se ele é, de facto, meu sobrinho, deve respeitar-nos e fazer as coisas como devem ser feitas”, afirmou.
Iva recordou ainda que já ajudou Patchi em várias ocasiões e que a dupla até poderia ceder algumas músicas, desde que houvesse respeito, humildade e procedimentos correctos.
“Eu toquei para Patchi e ajudei-o várias vezes. Temos músicas que poderíamos ceder-lhe, mas Patchi tem de nos respeitar, ser humilde e parar com a arrogância”, disse.
O músico abordou também a deslocação a Macau, afirmando que Iva & Ichi deveriam ter estado presentes, mas que tal não aconteceu por culpa dos dirigentes responsáveis. Sublinhou ainda que Patchi “não manda” na dupla nem pode gerir a carreira dos dois artistas.
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