O Inspetor-geral da Saúde Pública afirmou hoje que a ausência de uma política de registo de medicamentos importados, da margem de preços/lucros e de um laboratório de controlo de qualidade, coloca a Guiné-Bissau num alto risco sanitário.
Benjamim Lourenço Dias falava em entrevista exclusiva à ANG sobre a avaliação do desempenho das empresas grossistas de medicamentos.
Segundo Dias, o Governo tem em carteira, a realização de novo concurso para a emissão de licenças de quatro anos para empresas grossistas de medicamentos.
“Quando os próprios grossistas desconhecem a qualidade de medicamentos que importam e as próprias populações não sabem a qualidade de produtos que consomem, podemos considerar que o país é de alto risco sanitário”, disse.
Aquele responsável afirmou que as empresas grossistas de medicamentos, cujas licenças foram concedidas em 2018, estão a funcionar com deficiências.
“No final de quatro anos das suas atividades, as empresas grossistas de medicamentos ainda se deparam com dificuldades de garantir uma cobertura de abastecimento de medicamentos ao nível nacional”, salientou.
Benjamim Dias referiu que no âmbito do contrato em vigor, as empresas grossistas de medicamentos, num espaço de 18 meses, deviam ter os seus sucursais em todas as regiões, o que não aconteceu.
“Imagine hoje, as pessoas a se deslocarem das localidades fronteiriças nomeadamente de Cacine, Calac, Pitche, Pirada, Cambadju entre outras, até Bissau para comprar medicamentos”, lamentou.
Disse que as delegacias regionais da Inspeção Geral de Saúde estão a deparar-se com enormes dificuldades no controlo das entradas ilícitas de medicamentos no país.
“Por isso, entendo que essas situações constituem o fracasso dos nossos grossistas que deviam ter os seus sucursais em todas as regiões do país, conforme consta no contrato. São aspectos que não cumpriram e nem têm a capacidade para cumpri-los”, disse.
Em relação a política de margem de lucros, o Inspetor Geral de Saúde sublinhou que, existem disparidades de preços de medicamentos entre as diferentes farmácias.
“Nós da Inspeção Geral, não podemos intervir por falta de base legal, que devia nortear a nossa atuação em termos de harmonização de preços de medicamentos”, disse Benjamim Lourenço Dias.
RTB- ANG
@Tidjane Cande
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