Guineenses Sofrem Deportação Arbitrária na Mauritânia em Ação de Retaliação das Autoridades

A denúncia foi feita nesta terça-feira por um cidadão guineense residente na capital da Mauritânia, Nouakchott.

Segundo ele, a situação dos guineenses no país deteriorou-se após um conflito envolvendo um cidadão maliano e um empregador mauritano. O problema teve início quando um mauritano recusou-se a pagar um trabalhador maliano por serviços prestados. Diante da recusa e da ineficácia da justiça local, o maliano acabou por assassinar o patrão como forma de retaliação.

O guineense explicou que, a partir desse incidente, as autoridades mauritanas iniciaram uma série de detenções e deportações em massa de cidadãos estrangeiros, independentemente de terem ou não documentos de residência legal.

“As autoridades mauritanas decidiram aplicar a deportação como forma de resposta ao crime cometido, afetando indiscriminadamente guineenses e outros estrangeiros no país”, denunciou o cidadão.

O guineense lamentou que essa ação tenha sido conduzida sem qualquer aviso prévio à Associação dos Migrantes na Mauritânia ou às autoridades guineenses. Os detidos foram levados às pressas até a fronteira com o Senegal, sem assistência e em condições desumanas.

“A maioria dos deportados não tem mínimas condições de permanecer naquela área, sem acesso a saúde, alimentação ou abrigo adequado. Foram simplesmente despejados na fronteira, deixando para trás tudo o que construíram na Mauritânia”, acrescentou.

Além disso, o denunciante destacou as dificuldades impostas pelas autoridades mauritanas para que estrangeiros consigam regularizar sua documentação. “Para obter documentos, um estrangeiro precisa antes buscar um carimbo de entrada na fronteira do Senegal. Depois disso, enfrenta uma burocracia que pode levar meses para ser resolvida”, relatou.

A indignação também se estende à inação da embaixada guineense na Mauritânia. Segundo o cidadão, ao procurar ajuda, os guineenses encontraram apenas o secretário da embaixada, já que o embaixador está ausente há mais de um ano devido a problemas de saúde. “Ele nos disse claramente que não faria nada, pois o caso é de competência exclusiva do governo mauritano”, lamentou.

Diante desse cenário de discriminação e abusos, os guineenses na Mauritânia pedem uma resposta urgente das autoridades da Guiné-Bissau para garantir a proteção de seus cidadãos, especialmente considerando que os mauritanos desfrutam de mais garantias e segurança na Guiné-Bissau do que os guineenses na Mauritânia.

RTB

Redação

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