Alto Comando Militar proíbe declarações públicas não autorizadas na Guiné-Bissau

Bissau, 9 de Janeiro de 2025 — O Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e Ordem Pública anunciou, esta quinta-feira, a proibição imediata de quaisquer conferências de imprensa ou declarações públicas que não tenham autorização prévia das autoridades de transição, alegando riscos para a paz e a coesão social no país.

Num Comunicado à Imprensa n.º 05, a instituição militar afirma que tem conhecimento da existência de indivíduos e grupos, incluindo figuras políticas, que estariam a promover encontros clandestinos com o objectivo de incitar à violência e ao desrespeito pelas interdições estabelecidas na Carta de Transição Política e nas resoluções emanadas pelo próprio Alto Comando.

Segundo o comunicado, tais práticas são consideradas inaceitáveis e constituem uma grave afronta à estabilidade nacional. As autoridades militares asseguram que estão a monitorizar atentamente a situação em todo o território nacional e alertam que qualquer pessoa ou entidade que desafie a ordem pública decretada será severamente repreendida, nos termos da lei.

O Alto Comando Militar refere ainda que determinados grupos, alegadamente com base em afinidades tribais, estariam a ser instigados a desafiar a autoridade do Estado, tendo sido registadas inclusive ameaças públicas contra membros do Alto Comando e outras personalidades. A instituição exorta ao cessar imediato dessas acções e sublinha que os responsáveis serão individualmente responsabilizados, assumindo o pleno peso das consequências legais.

No documento, o Alto Comando esclarece que as medidas anunciadas não configuram, em circunstância alguma, perseguição a grupos étnicos ou tribais, tratando-se, segundo a nota, da aplicação estrita da lei face a actos individuais de desacato e perturbação da ordem pública.

Por fim, a instituição militar apela ao povo guineense, à comunidade internacional, aos corpos diplomáticos acreditados no país, à sociedade civil, às confissões religiosas e às autoridades tradicionais para que acompanhem com atenção a situação, defendendo que o momento exige união, serenidade e compromisso colectivo com o restabelecimento da ordem constitucional, da paz pública e do respeito pelas instituições.

Redação

Recent Posts

CEDEAO exige libertação de presos políticos na Guiné-Bissau e nomeia Senegal como facilitador da transição

CEDEAO REALIZA 69.ª SESSÃO ORDINÁRIA E ADOTA DECLARAÇÃO SOBRE O FUTURO DA INTEGRAÇÃO REGIONAL Lungi,…

2 days ago

Cimeira de Freetown: Estados da CEDEAO comprometem-se com o Gasoduto Nigéria-Marrocos, um corredor energético de 6.800 km

Reunidos este domingo, 19 de julho, em Freetown, na Serra Leoa, por ocasião da cimeira…

2 days ago

Macky Sall regressa ao Senegal e aterra no Aeroporto Léopold Sédar Senghor

Senenews O antigo Presidente do Senegal, Macky Sall, regressou esta sexta-feira ao país pela primeira…

5 days ago

Um dos pilares de instabilidade na Guiné Bissau, está na seriação dos deputados.

Por: Ussufi Seidi A seriação dos deputados tem peso grande na instabilidade na Guiné Bissau.…

6 days ago

Quando a Guinendade se perde por alguns segundos de fama

Por: Abene Lefna Há momentos em que uma nação precisa de parar, olhar para si…

6 days ago

Governo de Cabo Verde manifesta preocupação com detenção de Domingos Simões Pereira

O Governo de Cabo Verde manifestou a sua profunda preocupação com os recentes acontecimentos na…

1 week ago