Um grupo de dirigentes do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) acusou, este sábado, a atual direção do partido de promover práticas que, segundo afirmam, têm levado ao afastamento e à exclusão de militantes e responsáveis políticos.
As declarações foram feitas durante uma conferência de imprensa realizada num hotel em Bissau, na qual participaram várias figuras ligadas ao PAIGC que integram o atual governo de transição.
Na ocasião, o primeiro a intervir foi Carlos Pinto Pereira, conhecido por “Caía”. Antes de apresentar críticas à liderança do partido, dirigida por Domingos Simões Pereira, o responsável apelou ao diálogo interno e defendeu uma maior união entre os membros da formação política. Nesse sentido, sugeriu que os veteranos do partido assumam a liderança de uma iniciativa designada “Plataforma de Diálogo e Reconciliação”, com o objetivo de reforçar a coesão no seio do PAIGC.
Apesar do apelo ao entendimento, Carlos Pinto Pereira afirmou que a atual direção tem optado por caminhos que, no seu entender, prejudicam o partido e contribuem para o afastamento de figuras importantes da organização.
Segundo o também ministro da Justiça e dos Direitos Humanos no governo de transição, o PAIGC não deve continuar a ser enfraquecido por práticas que conduzam à marginalização ou exclusão de militantes e dirigentes, defendendo que tais medidas não representam uma solução adequada para o funcionamento de um partido político.
O dirigente considerou ainda essencial que o congresso do PAIGC, previsto para novembro, seja realizado com a maior brevidade possível, alertando para o risco de a formação política enfrentar dificuldades em participar nas eleições previstas para dezembro, caso o processo interno não avance.
Durante a mesma conferência de imprensa, o dirigente e antigo porta-voz do partido, João Bernardo Vieira, também tomou a palavra para dirigir críticas à atual liderança.
Na sua intervenção, afirmou que o compromisso dos militantes deve estar orientado para os princípios e valores do PAIGC, sublinhando que haverá esforços para garantir a renovação dos órgãos do partido.
João Bernardo Vieira apontou igualmente aquilo que considera ser uma incapacidade da direção para manter e consolidar o poder político conquistado pelo partido em diferentes processos eleitorais.
O dirigente salientou que a realidade política da Guiné-Bissau exige estratégias adequadas para preservar o poder, questionando a eficácia de uma atuação que, segundo afirmou, gera conflitos com várias entidades que poderiam contribuir para a estabilidade política.
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