Moçambique- Mondlane declara-se “Presidente eleito pelo povo” e promete anunciar medidas governativas

O candidato presidencial moçambicano Venâncio Mondlane disse hoje, no Facebook, que sexta-feira vai apresentar medidas governativas para os primeiros 100 dias do seu alegado mandato, pois é o “Presidente eleito pelo povo”.

Venâncio Mondlane reiterou, num direto feito ao princípio da noite de hoje em Maputo, que foi eleito Presidente, pela vontade do povo, nas eleições de 09 de outubro, e que sexta-feira, pelas 15:00 locais (menos duas em Lisboa), vai fazer uma live em que indicará “as medidas governativas para os primeiros 100 dias” do que afirmou ser o seu mandato “como Presidente eleito pelo povo, de forma aberta e original”.

“Os setores público e privado vão ter de cumprir”, assim como o Daniel Chapo, o candidato da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) confirmado vencedor das eleições presidenciais pelo Conselho Constitucional e empossado hoje como Presidente da República, declarou.

Mondlane começou por agradecer a todos os moçambicanos “que estão na rua desde segunda-feira, determinados a impor a verdade do Moçambique original”.

Referiu também palavras de solidariedade para com todas as famílias que perderam entes queridos nas mãos “das entidades de segurança”, acrescentando que a sua própria mãe foi hoje agredida pelas forças policiais, sem dar mais pormenores.

Acusou ainda Daniel Chapo de ser um “bom aluno” após ter ouvido o seu discurso na sua tomada de posse como Presidente de Moçambique, hoje, em Maputo.

“Tivemos uma tomada de posse do candidato nomeado pelo Conselho Constitucional, não o candidato eleito. Foi um teatro, um espetáculo de circo”, disse.

Segundo Mondlane, o local da tomada de posse de Chapo, a Praça da Independência, “estava próximo de uma cerimónia fúnebre, repleta de armas e terror”.

“Foi uma cerimónia fechada, triste, que fica na História pela negativa. Já eu, quando tomei posse, em 09 de janeiro [dia em que regressou a Moçambique após dois meses e meio fora do país por alegadas questões de segurança], foi num ambiente aberto, no aeroporto, próximo do povo”, indicou.

Na sua opinião, o mandato de Chapo terá como a maior arte a “cabulação” (cópia).

“Ouvi as linhas de governação e 95% das linhas foram o que apresentei na campanha eleitoral. Ele é um bom aluno”, ironizou.

Todavia, Mondlane realçou que Chapo não lhe copiou as medidas de combate à corrupção “por ser fraudulento”.

“[Chapo] Usou um avião de Estado quando não era Presidente, tem empresas que nunca pagaram impostos ao Estado. Ele próprio é corrupto e nem consegue apresentar medidas sem olhar para um papel a cabular. Não sei como vai combater a corrupção”, salientou.

“Fico satisfeito por ter um grande aluno, é muito fiel, mas cabula muito. Ele que esteja atento sexta-feira para depois cabular de forma correta”, concluiu.

Em 23 de dezembro, Chapo, 48 anos, foi proclamado pelo Conselho Constitucional (CC) como vencedor da eleição a Presidente da República, com 65,17% dos votos, nas eleições gerais de 09 de outubro, que incluíram legislativas e para assembleias provinciais, que a Frelimo também venceu.

O candidato presidencial Venâncio Mondlane, que não reconhece os resultados eleitorais, convocou três dias de paralisação e manifestações, desde segunda-feira, contestando a tomada de posse dos deputados eleitos à Assembleia da República e a investidura do novo Presidente da República.

A eleição de Daniel Chapo tem sido contestada nas ruas desde outubro, com manifestantes pró-Mondlane – que segundo o CC obteve apenas 24% dos votos mas que reclama vitória – a exigirem a “reposição da verdade eleitoral”, com barricadas, pilhagens e confrontos com a polícia.

RTP

Redação

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