Pedro Pires: “O problema da Guiné não é cabo-verdiano nem africano; é um problema dos guineenses”

O antigo Presidente da República de Cabo Verde e veterano da luta de libertação, Comandante Pedro Pires, afirmou esta quinta-feira, 4 de dezembro de 2025, que a crise política na Guiné-Bissau “não é um problema cabo-verdiano nem africano, é um problema dos guineenses”, defendendo que cabe exclusivamente aos cidadãos guineenses identificar e implementar soluções para os seus desafios internos.

À margem de uma cerimónia realizada na sede da Fundação Amílcar Cabral, na cidade da Praia, onde foi agraciado com a Medalha de Honra no âmbito das comemorações dos 50 anos da independência da República de Angola, Pedro Pires destacou a centralidade do diálogo interno.

“Quem deve contribuir para a solução de um problema interno guineense são os guineenses. Pode haver apoios externos, mas a consolidação da solução tem de ser interna. É preciso criar condições para o diálogo e encontrar a melhor saída”, afirmou.

Relativamente ao golpe de Estado que interrompeu o processo eleitoral na Guiné-Bissau, o comandante classificou a situação como “esquisita”, sublinhando que a questão agora é determinar como ultrapassar o impasse.

“A primeira condição para sair desta situação é libertar todos os presos políticos. Isso é prévio. Os que detêm o poder devem compreender que é essencial criar condições para o diálogo”, defendeu, acrescentando que organizações e personalidades nacionais devem assumir iniciativas que permitam construir consensos.

Pedro Pires frisou que, neste momento, o foco não deve ser a procura da verdade factual, mas sim a construção de uma solução política que fortaleça o Estado soberano da Guiné-Bissau e consolide o Estado de direito.

“Este conflito só pode ser superado com respeito pelas regras e pelo Estado de direito. É um conflito interno e, por mais que custe admiti-lo, só pode ser resolvido pelos próprios intervenientes. São eles que devem ter a sabedoria de criar condições para o diálogo e, a partir daí, construir uma solução duradoura”, concluiu.

O Democrata.

Redação

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