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Sassou Nguesso vence reeleição com quase 95% dos votos na República do Congo

Reuters

O Presidente da República do Congo, Denis Sassou Nguesso, foi reeleito com 94,82% dos votos, informou a televisão estatal na terça-feira, prolongando o seu poder de quase 42 anos sobre o produtor de petróleo da África Central.

Diplomatas e analistas políticos já previam uma vitória fácil para Sassou, de 82 anos, que enfrentou seis candidatos pouco conhecidos numa eleição cujo processo foi fortemente controlado pelo partido no poder, o Partido Trabalhista Congolês.

Os principais partidos da oposição optaram por não apresentar candidatos, alegando falta de transparência, enquanto duas das figuras mais conhecidas da oposição, o general Jean-Marie Michel Mokoko e André Okombi Salissa, estão presos há quase uma década.

Antes da votação, activistas de direitos humanos foram detidos, vários partidos da oposição foram suspensos e as reuniões públicas foram rigorosamente vigiadas, afirmou o activista congolês Joe Washington Ebina.

A votação de domingo foi marcada pela abertura tardia de algumas assembleias de voto e por um corte de internet em todo o país.

A televisão estatal indicou uma taxa de participação de 84,65%, embora muitas assembleias de voto em Brazzaville tenham registado filas reduzidas ou inexistentes no dia das eleições.

O principal adversário de Sassou, Mabio Mavoungou Zinga, de 69 anos, inspector aduaneiro reformado e antigo deputado, obteve 1,48% dos votos.

Os candidatos derrotados dispõem de cinco dias para apresentar recurso, e o Tribunal Constitucional tem 15 dias para os analisar antes da publicação dos resultados finais.

Novo mandato deverá ser o último de Sassou

Sassou, antigo pára-quedista, chegou ao poder em 1979. Perdeu as primeiras eleições multipartidárias do Congo, em 1992, mas voltou ao poder em 1997, após uma guerra civil.

Uma alteração constitucional em 2015 eliminou os limites de mandatos e o limite de idade para a presidência, permitindo-lhe candidatar-se a mais três mandatos de cinco anos.

Este novo mandato deverá ser o último, aumentando a atenção sobre a sucessão dentro do partido no poder.

A economia, fortemente dependente do petróleo, estabilizou nos últimos anos após uma década de crise. O Congo concluiu com sucesso, no ano passado, um programa de três anos com o Fundo Monetário Internacional.

No entanto, mais de metade da população vive na pobreza, segundo o Banco Mundial, e muitos congoleses não têm acesso fiável à electricidade, água potável e cuidados de saúde básicos.

O país também enfrenta acusações persistentes de corrupção, com autoridades judiciais francesas e norte-americanas a investigarem bens no estrangeiro pertencentes a membros próximos da família de Sassou.

Redação

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